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Corpo destrona corona



Somos gerados a partir de uma única célula que se reproduz e vai se dividindo a ponto de elaborar um sistema altamente complexo que chamamos corpo. Infinitamente mais simples são os vírus, esses seres diminutos e invisíveis que precisam se infiltrar em nossas células para desenvolver sua alta capacidade reprodutiva e assim nos infectar. Em uma pandemia, como a que vivemos atualmente, estamos então em uma guerra microscópica, em que um sistema muito simples ataca e, por vezes vence, esse muito complexo que somos nós.


Essa ameaça, desta vez é global. Unificada como o mundo controverso que a ganância capitalista se vangloria de ter criado - o mundo conectado, sem fronteiras, com o espaço-tempo transformado pelas tecnologias digitais. Se na história da humanidade as pandemias vieram, em sua maioria, e por razões mais óbvias, em momentos de pós-guerra, o Coronavírus, que chega como herança desse mundo de conexões e em seu nome tem o maior sinal da monarquia, tem a particularidade de ser a própria guerra. Assim alardeiam 24hs por dia nossas mídias que já nem precisam se esforçar em direção ao sensacionalismo – basta atualizar os números de mortos e infectados país a país.


Pois bem, cá estamos, não há como fugir dessa. As armas do combate nós já conhecemos: máscaras, luvas, higiene pessoal, isolamento social... tudo isso já está mais que dito. Mas, voltemos os olhos para uma questão primeira em tudo isso. O nós, o corpo, a gente, a pessoa ou qualquer nome que se dê para o que somos, não se resume a um punhado de células sendo atacadas: somos sujeitos. E enquanto sujeitos existimos diante e na relação com o outro, desde sempre. A alteridade não é uma mera escolha, precisamos do outro para simplesmente ser, para ser qualquer coisa, somos uma raça altamente convergente e reflexiva. Olhamos, somos vistos e nos vemos. Ouvimos, somos ouvidos e nos ouvimos. Tocamos, somos tocados e nos tocamos. Cheiramos, somos cheirados e sentimos nosso cheiro. Movemos, somos movidos e nos movemos. É só assim que existimos.


Quando o remédio para um tipo de crise inédita como a que vivemos é justamente não nos vermos, não nos ouvirmos, não nos tocarmos, não nos cheirarmos, não nos movermos, parecemos obrigados a negar a essência de Ser. Estamos a telas de distância uns dos outros. É curioso também pensar que a mesma maquinaria produzida pelo sistema capital para deixar o mundo pequeno e conectado é hoje o que nos resta e o que nos conforta na difícil missão de se manter longe de quem está perto. Sentimos saudades, sentimos falta, queremos contato, abraço, beijo, calor, corpo – que por sorte, e até então é insubstituível.


Mas, tem mais. Ainda bem que tem! Vamos destronar o corona.


Não somos apenas reflexivos e dependentes do outro. Somos desejosos. Somos pensantes. Somos criativos. E temos a capacidade e urgência de ser solidários. Cada um no seu quadrado digital pode e deve fazer uso de uma arma secreta para nossas circunstâncias: a palavra. Dizer, ouvir e nos ver, ainda que por mediação, é possível e fundamental. Ninguém está só.


Palavra, escuta, conexão. Termos chave para o nosso momento.

Vamos ser corpo, em toda sua potência expansiva, agora.


#comHelena #destronacorona #graandrade

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 2020 by  graandrade, Belo Horizonte, MG, Brasil.

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